Prestação da casa a subir: 3 passos para preparar o orçamento

uem tem crédito habitação, com taxa variável, beneficiou nos últimos anos de taxas de juro negativas e baixas prestações, que terão permitido aumentar a poupança e ter até um nível de vida mais elevado. Mas esta realidade está a mudar e, além das contas mais altas no supermercado, dos combustíveis mais caros e dos serviços em geral, por efeito da inflação, o valor da prestação da casa já começou a subir e tudo indica que irá aumentar ainda mais, de forma sustancial, causando um impacto no orçamento mensal. Para te ajudar a viver melhor neste contexto, apresentamos-te um conjunto de dicas de especialistas em finanças pessoais, a ter em conta.

O banco central europeu anunciou há dias que a taxa de juro de referência terá uma subida de 25 pontos em julho, contudo é importante perceber que a taxa de juro que está indexada ao crédito à habitação é a Euribor que já está em terreno positivo desde abril de 2022 (Euribor a 12 meses).

“Está tudo a ficar mais caro, com a inflação a disparar, e com a prestação da casa numa tendência de subida, é importante saber o que fazer para preparar o orçamento familiar para esta realidade”, começam por avisar as especialistas do Contas €m Dia, neste artigo preparado para o idealista/news.

Como preparar o orçamento familiar para a subida das taxas de juro

  • Taxa variável ou taxa fixa? O melhor é prevenir

O primeiro passo é prevenção. Se tens crédito habitação com taxa de juro variável, indexada à Euribor, tens de parar para olhar para as tuas contas. Sim, perceber como está agora o teu orçamento familiar para perceber na pratica como, quando e quanto é que isso pode alterar as tuas contas. Se tens taxa fixa a tua prestação permanecerá inalterada.

As prestações do crédito habitação não vão subir para todos da mesma forma. Vai depender do capital que tens em dívida, o prazo, o spread que tens e qual o indexante (3, 6 ou 12 meses) que está associado ao empréstimo da casa.

  • Saca da calculadora e começa a fazer contas à vida

Avaliar é o segundo passo. Faz as contas de quanto podes ficar a pagar a mais e de como seriam os teus meses nesses cenários!

Cénario de exemplo: Uma família com um crédito habitação de 150.000 euros em dívida, com um spread de 1.25% e que falta aproximadamente 25 anos para terminar de pagar o crédito atualmente está com uma prestação a rondar os 500 euros e caso a Euribor atinja 1% a prestação será aproximadamente 650 euros. Um aumento de 150 euros mensais! Imagina como poderá ser se a taxa subir para 2% ou 3%.

O valor da prestação para quem tem crédito habitação com taxa indexada sofrerá sempre alterações na periodicidade correspondente. Cerca de 25% das famílias escolheram Euribor a 12 meses como indexante, o que quer dizer que a prestação será atualizada a cada 12 meses (da data da escritura) e recalculada conforme o valor que a euribor esteja naquela data. O mesmo acontece para quem tem uma taxa variável indexada à Euribor a seis meses (historicamente a mais utilizada em Portugal e que depois de sete anos em terreno positivo, está positiva há mais de uma semana), ou a Euribor a três meses. 

  • Ser consciente de todos (mas todos) os gastos habituais e extraordinários da família e traçar limites

Depois de perceber quanto e como esta subida pode mudar nas contas do orçamento chegou a hora de decidir o que fazer. E esse é o terceiro passo para enfrentar a subida da taxa de juro. Deixa de fazer contabilidade a olhometro e começa a ver exatamente para onde está a ir o teu dinheiro mês após mês. Deves criar um limite de gastos para todas as tuas despesas já sabendo que em tempos de inflação alta praticamente todas as despesas se tornam variáveis. Deves questionar-te: “onde é que vou gastar menos”? e “como vou conseguir poupar?”. 

Plano de ataque para ter as contas organizadas e enfrentar imprevistos como a subida das taxas de juro

O mais importante é pores mãos à obra para que este aumento mexa o menos possível com as tuas contas! As especialistas deixam algumas sugestões práticas para enfrentar a subida da prestação da casa:

  1. Revêr as condições do crédito habitação e dos seguros associados ao empréstimo bancário. Às vezes mudar de banco pode ser uma agradável surpresa a nível de poupança.
  2. Ter um complemento ao ordenado. Os trabalhadores com ordenado fixo são fortemente penalizados em momentos de aumento de preços. Não é fácil negociar um aumento para fazer ajuste real ao custo de vida. Daí ter um part-time ou hobbie que traga rendimentos pode ser aquele balão de oxigénio.
  3. Reduzir despesas supérfluas. Um estilo de vida mais caro, se não for acompanhado por um aumento semelhante dos rendimentos, pode ser o inicio de uma bola de neve, pois se não tens forma de aumentar os rendimentos, terás de reduzir as tuas despesas.
  4. Caso tenhas poupanças (para além do fundo de emergência) com rentabilidades muito baixas podes ponderar em amortizar o teu crédito habitação para pagares menos juros.

Artigo que escrevemos para o idealista/news, 14-06-2022

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