Ganhas entre 1.000€ e 10.000€? 7 passos para pôr a tua vida financeira em ordem

Há uma coisa que aprendemos primeiro na banca e depois, todos os dias, no Contas em dia®: um ordenado bom não é sinónimo de contas em ordem.

Comecemos pelo óbvio: é mais fácil fazer omeletes quando se tem vários ovos. Quem ganha mais tem, à partida, maior potencial de poupança, e seria desonesto fingir o contrário. Mas potencial não é resultado. E a conclusão que muita gente tira daqui, a de que se não sobra nada não há grande coisa a fazer, é provavelmente a ideia que mais dinheiro custa ao longo de uma vida inteira. Organizares-te com pouco não é um prémio de consolação. É a única forma de o pouco começar a crescer.

Vimos pessoas com ordenados confortáveis a chegar ao fim do mês sem saber para onde tinha ido o dinheiro. E vimos famílias a viver com muito menos, com o orçamento controlado ao cêntimo, a poupança feita e nível adequado de crédito. A diferença raramente estava no valor que entrava na conta. Estava no método.

“A necessidade aguça o engenho”, diz o ditado, e é verdade. Quem tem pouca margem é obrigado a saber exatamente onde está cada euro, porque não há folga para o erro. Quem tem margem confortável raramente sente essa obrigação, e é precisamente por isso que tanta gente com bom ordenado chega aos 50 anos sem património nenhum. A folga esconde a desorganização durante anos, até deixar de a esconder.

A boa notícia é que os passos são os mesmos para toda a gente. Muda a escala dos números, não muda a ordem das decisões. Aqui ficam os sete, pela ordem que funciona.

1. Faz a tua posição integrada

Antes de mudares seja o que for, precisas de saber onde estás. Uma posição integrada é uma fotografia honesta em duas colunas: tudo o que tens (contas à ordem, depósitos, certificados, PPR, investimentos) e tudo o que deves (crédito habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, cartões de crédito, prestações de eletrodomésticos, dívidas a familiares). Escreve valores reais, não os que gostavas de ter. Depois subtrai. O número que sobra é o teu património líquido e é o teu verdadeiro ponto de partida. Muita gente evita este exercício por ter medo do resultado. É exatamente por isso que ele vem primeiro: não se corrige uma rota que não se conhece.

2. Separa despesas base de lazer e bem-estar

Depois de saberes onde estás, precisas de saber para onde vai o dinheiro todos os meses. Divide em dois grupos: despesas base, as obrigatórias (habitação, alimentação, transportes, seguros, saúde, educação, prestações), e lazer e bem-estar (restaurantes, viagens, subscrições, ginásio, compras). Usa os últimos três meses de extratos e regista o que gastaste mesmo, não o que achas que gastas. É aqui que a contabilidade a olhómetro cobra a fatura. A pergunta que interessa é simples: quanto custa, por mês, manter a tua vida a funcionar? Esse número é o teu mínimo. Tudo o que está acima dele é escolha, e escolhas podem ser ajustadas.

3. Constrói o teu Calendário OMG

OMG significa “Organizo os Meus Gastos”. Mas há um segundo significado, e é o que mais ouvimos: o susto de quem faz este exercício pela primeira vez. Pega num calendário com os doze meses do ano e distribui todas as despesas previsíveis que não acontecem todos os meses. IMI, IUC, seguro automóvel, inspeção do carro, férias, Natal, aniversários, consultas e medicação, material escolar, propinas, manutenções da casa e do automóvel. Regista o mês em que costuma acontecer, o valor estimado e soma o total anual.

Depois divide esse total por doze. É esse o valor que tens de reservar todos os meses para que o dinheiro já esteja disponível quando a despesa chegar. Na prática, o Calendário OMG transforma despesas anuais em pequenas provisões mensais e acaba com aqueles meses em que parece que acontece tudo ao mesmo tempo.

Os meses em que acontece tudo ao mesmo tempo não são azar. São despesas que já sabias que existiam e que ninguém distribuiu pelos outros onze meses.

4. Cria um plano para viver sem dívidas caras

Nem todas as dívidas são iguais. Um crédito habitação é uma coisa; um cartão de crédito, um crédito pessoal ou um crédito consolidado, com taxas muito superiores, são outra completamente diferente. Lista todas as tuas dívidas por taxa de juro, da mais alta para a mais baixa, e ataca a do topo com tudo o que conseguires libertar, mantendo os pagamentos mínimos das restantes. Cada euro que tiras de uma dívida cara rende-te, com certeza absoluta, a taxa que deixas de pagar. Não há investimento com esse grau de garantia. Se queres levar o mesmo raciocínio ao crédito habitação, escrevemos sobre isso no artigo Plano para viver sem prestações.

5. Separa o dinheiro para momentos de SOS

O fundo de emergência não é poupança nem investimento. É o que impede que um imprevisto te devolva à dívida que acabaste de eliminar no passo anterior. Entre três a seis meses de despesas base, aquele número que calculaste no passo 2, numa conta separada, líquida e aborrecida. Aborrecida é elogio: este dinheiro não está ali para render, está ali para estar lá. E não se toca nele para pagar o IMI ou o seguro do carro, porque essas despesas já estão no Calendário OMG. Quem mistura as duas coisas passa a vida a reconstruir o fundo do zero e nunca chega à fase seguinte. Explicámos os valores e os sítios certos em Fundo de emergência: quanto poupar e onde guardar o dinheiro?.

6. Automatiza a poupança no início do mês

Se poupas o que sobra no fim do mês, não vai sobrar. E se te sobrar 100€ é porque com organização financeira poderia sobrar 150€ facilmente.

Não é falta de força de vontade, é a ordem das operações. Define quanto queres poupar por mês em função dos teus objetivos, não do que der, e cria uma transferência automática para o dia seguinte ao da entrada do ordenado. O dinheiro sai antes de o veres e o resto do mês passa a viver com o que ficou. Um objetivo com valor e prazo definidos é muito mais fácil de cumprir.

7. Põe o excedente a render

Se cumpriste os seis passos anteriores, chegas a um ponto novo: sobra dinheiro e ele está parado. E dinheiro parado numa conta à ordem perde valor todos os anos por causa da inflação, mesmo que o saldo nunca desça um cêntimo. É aqui que entra a parte que quase toda a gente quer saltar para o início e que só funciona no fim: decidir onde e como pôr esse excedente a trabalhar, de acordo com o teu horizonte temporal, os teus objetivos e a tua tolerância ao risco. Sem os seis passos anteriores, investir é construir um andar sobre alicerces que não existem.

Investir não é o primeiro passo. É o sétimo. E é por isso que tanta gente começa e desiste: não estava a faltar rendimento, estava a faltar estrutura.

Por onde começas hoje

Não precisas de fazer os 7 passos numa semana. Precisas de os fazer por ordem, porque cada um assenta no anterior. E é por isso que tanta gente sente que está sempre a começar do zero: começa pelo fim.

Queres dar o sétimo passo connosco?

No dia 9 de setembro, às 21h07, fazemos o webinar Põe o Teu Dinheiro a Render. Online e ao vivo, sem gravação: quem quiser ver, tem de estar lá. Quem assistir em direto recebe o workbook de apoio.

Finalmente vais receber juros, em vez de só os pagares.

Nota de transparência

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Os conteúdos deste artigo têm caráter exclusivamente educativo e não constituem aconselhamento financeiro.

Andreia e Tânia

Contas em dia®

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